sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Centenário de dona Ziza


Dona Ziza faria 100 anos hoje.

Dela há poucas fotos. Nesta, dos tempos de solteira, ela aparece séria, mas nem por isso deixa de lançar um charme. A roupa tinha sido feita por ela, claro, e os sapatos eram um espetáculo à parte.

 


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Dona Ziza e seus versinhos


No seu célebre caderno preto, além de receitas, orações e letras de canções, dona Ziza copiava poemas que aprendera na adolescência para declamar nas reuniões familiares promovidas por seu Altino e dona Olívia. Nesses “assustados”, já frequentados por Deolindo, aí por volta de 1930, um dos poemas mais solicitados era este, de Antônio Xavier Rodrigues Cordeiro, poeta português romântico.
A doida de Albano


— Vem cá, escuta meu filho,
És amigo de tua mãe?
— Oh! Minha mãe que pergunta?
— Basta meu filho, pois bem;
Vai ver a velha Vicência
O amor que um filho lhe tem.

Fazem hoje vinte anos,
(Dizendo mostra um punhal!)
Que teu pai morreu a golpes
Deste ferro por meu mal;
E que eu deveria vingá-lo
Fiz uma jura fatal.

— Uma jura?! Mãe Santíssima!
Oh! Minha mãe, que jurou?
— Eu jurei por este sangue,
Que em ferrugem se tornou,
Que tu, filho matarias
Esse que a teu pai matou.

E matas? — Mato, aqui o juro:
— E matas seja quem for?
Ainda que essa vingança
Te roube ao seio um amor?
— Ainda assim. — Toma o ferro,
É Ricardo o matador.

— Ricardo o pai de Maria!
— Sim esse. — Oh! Mãe perdoai!
Pela amante o pai esqueces!
— Filho ingrato... parte... vai,
Cumpre a jura ou sê maldito
Se tu não vingas teu pai.

Nessa noite tinto em sangue,
Com os cabelos no ar,
O assassino de Ricardo
Foi aos pés da mãe lançar
O punhal, em que jurara
Do pai a morte vingar.

Sorriu-se a velha, e contente
Abraçava o vingador,
Quando eis súbito aparece
Qual bela estátua de dor,
Junto do grupo chorando
De Albano a cândida flor.

— Paulo, meu Paulo, vingança;
Perdi meu pai... não o vês...
Nestas lágrimas sentidas,
Que aqui derramo a teus pés?!
Paulo, meu Paulo, vingança;
Vinga-me tu por quem és...

Eu o vi banhado em sangue
Assisti-lhe ao triste fim,
Quis falar-me, já não pode
Com os olhos fitos em mim,
Expirou... vingança eterna!
Tu vingas-me, Paulo... sim?

 Vingo, Maria, sossega:
Eu sei quem teu pai matou;
Vai morrer com o mesmo ferro
Que ainda há pouco o transpassou.
Isto disto, as punhaladas
O próprio seio cravou.

Foge triste espavorida,
Deixa Albano, e sem parar,
Entra em Roma no outro dia,
Por toda a gente a gritar:
— Quem me mata por piedade,
Quem me vem também matar?

Assim vagueou três dias,
Até que ao quarto endoideceu!
Ainda hoje o caminhante,
Quando passa o Coliseu,
Vê a pobre às gargalhadas
Vingança pedindo ao céu.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Canção de dona Ziza nº 5


Esta é antológica. As pastorinhas, de Noel Rosa e Braguinha, teve muitos intérpretes – Orlando Silva, Sílvio Caldas, Cauby Peixoto e Elizeth Cardoso, entre outros. Também fazia parte do repertório de dona Ziza.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Dona Ziza e suas rezas



Na seu dia a dia cheio de obrigações e afazeres, dona Ziza achava sempre um tempinho para rezar. Ecumênica por natureza e princípio, frequentava centros espíritas e umbandistas, mas não dispensava as orações aos santos católicos, que ela copiava com letra grande e cheia de floreios, num grande caderno de capa preta onde também se acumulavam canções antigas e receitas.

Que fique claro: dona Ziza não rezava pessoas e nem dava passes. Se alguém ou alguma coisa a afligia, entretanto, ela recorria a santo Antônio, são Jorge, a Nossa Senhora e por aí vai. De eficácia comprovada se mostrou a oração a Nossa Senhora do Desterro, de que se valia dona Ziza para... afastar de suas filhas os pretendentes indesejáveis!

Aí vai, portanto, a famosa oração. Leitoras e leitores deste blog podem e devem usá-la em situação semelhante ou para afastar qualquer tipo de sofrimento. Dizem que funciona que é uma beleza até em caso de depressão.


ORAÇÃO À  NOSSA  SENHORA  DO  DESTERRO

Ó Bem-aventurada Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo Salvador do Mundo, Rainha do Céu e da Terra, advogada dos pecadores, auxiliadora dos cristãos, protetora dos pobres, consoladora dos tristes, amparo dos órfãos e viúvas, alívio das almas penantes, socorro dos aflitos, desterradora das indigências, das calamidades, dos inimigos corporais e espirituais, da morte cruel dos tormentos eternos, de todo bicho e animal peçonhentos, dos maus pensamentos, dos sonhos pavorosos, das cenas terríveis e visões espantosas, do rigor do dia do juízo, das pragas, dos incêndios, desastres, bruxarias e maldições, dos malfeitores, ladrões, assaltantes e assassinos.

Minha amada mãe, eu prostrado agora aos vossos pés, com piedosíssimas lágrimas, cheio de arrependimento das minhas pesadas culpas, por vosso intermédio imploro perdão a Deus infinitamente bom. Rogai ao vosso Divino Filho Jesus, por nossas famílias, para que ele desterre de nossas vidas todos estes males, nos dê perdão de nossos pecados e nos enriqueça com sua divina graça e misericórdia.

Cobri-nos com o vosso manto maternal, ó divina estrela dos montes. Desterrai de nós todos os males e maldições. Afugentai de nós a peste e os desassossegos.

Possamos, por vosso intermédio, obter de Deus a cura de todas as doenças, encontrar as portas do Céu abertas e convosco ser felizes por toda a eternidade. Amém.

(Rezar 7 pai-nossos, 7 ave-marias e 1 credo ao Sagrado Coração de Jesus, pelas sete dores de Maria Santíssima.)


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Canção da dona Ziza nº 4

Dona Ziza brincou muito carnaval nos anos 30. Os sambas, ranchos e marchinhas daquela época eram constantemente relembrados em meio às atividades do cotidiano. Não podia faltar Ismael Silva, muito menos Noel. Gosto, mas não é muito era uma das suas canções prediletas.

https://www.youtube.com/watch?v=WXglZSHdpzI

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Canção de dona Ziza nº 3


Esta é um grande sucesso do Trio de Ouro, gravado em 1943. Dona Ziza caprichava nos trechos correspondentes à voz de Dalva, cônscia da responsabilidade de interpretar uma criação da grande estrela. De vez em quando, um elogio de alguma vizinha: "Gosto de ouvir a senhora cantar..." 


http://minhateca.com.br/xocran.grupos/Documentos/CARNAVAL++ANTIGO/Trio+de+Ouro+-+Laurindo+(1943),193011006.mp3(audio)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Canção de dona Ziza nº 2

Esta canção, Malandrinha, é de 1927. Seu autor é Freire Júnior. Teve muitos intérpretes: Chico Alves, Nelson Gonçalves, Miltinho, Martinho da Vila... Dona Ziza a cantava como ninguém. E suspirava, talvez de inveja, ao entoar os versos

       És malandrinha
       Não precisas trabalhar.

http://www.youtube.com/watch?v=3hqgrbrwwkQ