Dona Ziza gostava de ensinar. Se uma filha queria aprender a costurar, ela “separava uma hora” (que podia ser diária ou até semanal) para iniciá-la. Era uma mestra que, com paciência e método, exercia prazerosamente o seu trabalho pedagógico. Observava os avanços, corrigia os erros, estimulava a prosseguir.
Dona Ziza sempre fez questão de ensinar suas filhas a ler. Foi, portanto, a sua primeira professora. As quatro meninas, quando se preparavam para entrar na escola, eram alfabetizadas por meio de uma metodologia muito peculiar e de grande eficácia. A criança ganhava um livro com uma história bem interessante e, diariamente, dona Ziza se punha a ler com ela. Em um mês ou pouco mais a criança lia sozinha.
A mãe não cabia em si de alegria. Mas não dava mole, isso não.
A caçula ia entrar na primeira série e ganhou um livro no Natal – “Bitu, o carneirinho sujo”. Em meados de janeiro, a menina pegou um resfriado e teve de ficar em casa. Dona Ziza entrou em cena: todas as tardes, deitava-se com ela para a leitura d livro.
Passados alguns dias, quando a menina já soletrava quase tudo, dona Ziza apontou com o dedo o nome da personagem principal e pediu que ela lesse. A menorzinha não conversou:
- Bê-i-bi, tê-u-tu: car-nei-ri-nhu!
Não prestou...
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