quinta-feira, 25 de abril de 2013

Nas pequenas reuniões domingueiras, em Jacarepaguá, havia momentos para música, anedota e poesia. Seu Deolindo gostava de declamar. “A caridade e a justiça”, de Guerra Junqueiro, era um de seus poemas prediletos, lembram-se? Terminava assim:
Judas fitou ao longe os cerros do calvário,
E erguendo-se viril, soberbo, extraordinário,
Exclamou:
– «Não aceito a tua compaixão.
A justiça dos bons consiste no perdão.
Um justo não perdoa. A justiça é implacável,
A minha acção é infame, hedionda, miserável;
Preguei-te nessa cruz, vendi-te aos Fariseus.
Pois bem, sendo eu um monstro e sendo tu um Deus,
Vais ver como esse monstro, ó pobre Cristo nu,
É maior do que Deus, mais justo do que tu:
À tua caridade humanitária e doce,
Eu prefiro o dever terrível!» E enforcou-se.

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